IBIT lidera retomada institucional dos ETFs de Bitcoin nos EUA

Moeda de Bitcoin sem marca diante de fluxos de capital institucional em fundos de investimento
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Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos receberam US$ 730,9 milhões em entradas líquidas na quinta-feira (3), a maior captação diária desde 14 de janeiro, segundo dados da SoSoValue. O movimento reforça o retorno da demanda institucional pelo ativo depois de uma semana marcada por volatilidade nos fluxos e coincide com a volta do Bitcoin a patamares acima de US$ 81 mil.

ETFs de Bitcoin voltam a registrar forte entrada

O IBIT, da BlackRock, concentrou a maior parte do fluxo, com cerca de US$ 454 milhões captados no dia. O ARKB, da Ark Invest e 21Shares, atraiu aproximadamente US$ 138 milhões, enquanto o FBTC, da Fidelity, registrou US$ 74 milhões em entradas. Produtos da Grayscale também tiveram captação positiva na sessão.

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O resultado reverte rapidamente a pressão vista dias antes: na terça-feira, os ETFs de Bitcoin haviam registrado saída de US$ 236 milhões, dos quais cerca de US$ 201 milhões saíram do próprio IBIT. O mesmo fundo que liderou os resgates no início da semana passou a liderar a maior entrada do período.

O gatilho para a mudança de humor veio do Federal Reserve. Declarações do diretor Christopher Waller sinalizaram preferência por manter os juros estáveis caso os próximos dados confirmem desaceleração da inflação. As chances de alta de juros na reunião de setembro caíram de 63,2% para 50,4%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME. Juros menores ou estáveis tendem a favorecer ativos de risco e sem rendimento próprio, como Bitcoin, ações de tecnologia e ouro – padrão que se repetiu no pregão de quinta-feira.

Close-up of scattered United States twenty dollar bills featuring Andrew Jackson
Photo by Sergei Starostin on Pexels

O que o fluxo sinaliza para a demanda institucional

Segundo Rachael Lucas, analista de cripto da BTC Markets, a concentração no IBIT é o principal indício de que o movimento tem perfil institucional, já que esse é o veículo preferido por grandes investidores para operações de maior porte – o que sugere fluxo de alocação, e não apenas posicionamento tático de curto prazo.

A leitura ganha reforço no desempenho recente: os ETFs de Bitcoin atraíram US$ 3,5 bilhões em agosto, o melhor resultado desde setembro de 2025. Os fundos encerraram a quinta-feira com US$ 103,34 bilhões em ativos líquidos, equivalente a pouco mais de 6% do valor de mercado do Bitcoin, e as entradas acumuladas desde o lançamento dos ETFs à vista, em janeiro de 2024, somam US$ 55,44 bilhões.

Ainda assim, o próprio dado pede confirmação. Uma segunda sessão acima de US$ 500 milhões ajudaria a validar uma demanda institucional mais sustentada, enquanto um retorno aos resgates indicaria que a entrada de quinta-feira pode ter sido apenas um ajuste pontual. Jeff Mei, COO da BTSE, avaliou ao The Block que a fala de Waller funcionou como um sinal para o mercado, ajudando a impulsionar tanto ações de crescimento quanto criptoativos.

Lucas destacou ainda que a correlação de 90 dias entre Bitcoin e ouro subiu para o maior nível em seis anos, acima de 50%, enquanto a correlação com o S&P 500 caiu para perto de zero – sinal de que o mercado pode estar precificando o ativo mais como proteção contra inflação do que como risco puro, embora essa mudança ainda precise ser confirmada ao longo do tempo. Os dados de fluxo podem ser acompanhados em tempo real na SoSoValue.

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