Brasil lidera entradas, mas México e Venezuela puxam cripto

Mapa abstrato da América Latina destacando fluxos de stablecoins entre Brasil, México e Venezuela
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A América Latina se consolidou como um polo global de uso de stablecoins, segundo o relatório de 2026 da Chainalysis sobre adoção de criptomoedas na região. O Brasil recebeu mais de US$ 252 bilhões em entradas de criptoativos, valor quase três vezes superior ao registrado pela Argentina, segunda colocada no ranking continental – ainda que essa cifra represente retração ante o ano anterior para a economia cripto brasileira.

México e Venezuela puxam o crescimento regional

Enquanto o Brasil desacelerou, o restante da região compensou com folga. O México cresceu 25,5%, a Argentina 15,3% e a Colômbia 13,8%, segundo os dados apurados pela Chainalysis. A Venezuela chamou atenção com alta de 107,2% – de acordo com o relatório, o salto se seguiu a um choque político de janeiro, quando o líder Nicolás Maduro teria sido detido pelo Exército dos Estados Unidos em solo venezuelano, episódio que teria acelerado infraestruturas e hábitos de uso de cripto já existentes no país. Trata-se de uma alegação atribuída diretamente à Chainalysis, sem confirmação independente até o momento.

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O México desponta como o principal hub de stablecoins para fluxos transfronteiriços da região: 81% de toda a atividade cripto local está concentrada nesses ativos, com volume mensal de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 10,44 bilhões) em junho de 2026. No total regional, stablecoins responderam por 32,1% do valor transferido entre países e 22,1% das trocas P2P dentro das fronteiras nacionais – um movimento que reforça a leitura de que a América Latina vem atraindo capital e consolidando seu ecossistema cripto mesmo em ciclo de mercado mais fraco.

Clientes migram para plataformas centralizadas

Um dado chama atenção dentro do próprio relatório: apenas 28,8% dos fundos mantidos na região estão em carteiras de autocustódia, ante mais de 50% registrados antes de 2022. A Chainalysis associa essa mudança à busca por serviços complementares em corretoras e bancos digitais, além de uma regulamentação mais clara em parte dos mercados locais – um contexto que ajuda a explicar por que o mercado global de stablecoins segue em expansão.

Gabriel Campa, responsável pelos ativos digitais da Towerbank, avalia que o traço comum entre os diferentes mercados é que os clientes, cada vez mais, não querem manter a conta bancária em um lugar e os ativos digitais em outro: eles buscam receber, guardar, converter, transferir, gastar e acessar produtos financeiros dentro de uma mesma relação.

O que a mudança significa para o mercado regional

O retrato que emerge do relatório é o de uma região com dois movimentos simultâneos: o Brasil segue líder em valor absoluto recebido, mas perde fôlego relativo, enquanto mercados como México, Venezuela, Argentina e Colômbia puxam a expansão via stablecoins. A preferência crescente por plataformas centralizadas, apontada por Campa, indica que o apetite regional está menos ligado à ideologia da autocustódia e mais à conveniência de operar cripto e conta bancária sob o mesmo teto – tendência que dialoga com projeções da própria Chainalysis para o volume futuro de stablecoins.

Pontos-chave do relatório

  • BRASIL – ‘Líder em valor recebido’: mais de US$ 252 bilhões (R$ 1,46 trilhão) em entradas de criptoativos, mas com retração ante o ano anterior.
  • MÉXICO – ‘Hub de stablecoins’: 81% da atividade cripto concentrada em stablecoins, com US$ 1,8 bilhão (R$ 10,44 bilhões) em volume mensal em junho de 2026.
  • FLUXOS REGIONAIS – ‘Peso das stablecoins’: 32,1% do valor transfronteiriço e 22,1% das trocas P2P intranacionais.
  • CUSTÓDIA – ‘Migração para exchanges’: apenas 28,8% dos fundos em carteiras de autocustódia, ante mais de 50% antes de 2022.
  • VENEZUELA – ‘Alta expressiva, dado a confirmar’: crescimento de 107,2%, associado pelo relatório a um evento político de janeiro que ainda carece de verificação independente.
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