Bitcoin retoma US$ 77 mil após maior semana de alta desde 2023

Bitcoin dourado sobe em uma composição editorial que representa o rompimento e a forte alta semanal
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O Bitcoin era negociado a US$ 77.116,37 (aproximadamente R$ 447.275 ao câmbio de R$ 5,80) na sexta-feira, com alta de 22,80% em sete dias – a melhor semana do ativo desde 2023. O movimento levou a capitalização de mercado da moeda de volta a US$ 1,56 trilhão (cerca de R$ 9,05 trilhões) e elevou sua dominância sobre o restante do mercado cripto para 57,52%, um avanço de 4,41% em 24 horas.

Da estagnação ao rompimento de US$ 14 mil

O Bitcoin abriu a semana em US$ 62.800 (cerca de R$ 364.240) e chegou a tocar US$ 79.241 no pico da sessão de sexta – o nível mais forte desde junho – antes de recuar para a faixa de US$ 77 mil. O ativo vinha travado entre US$ 62.000 e US$ 66.900 desde 8 de julho, com volatilidade realizada de 30 dias comprimida a 27,2%, muito abaixo da média histórica de 80%. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao cobrir o anúncio de recompras do Tesouro americano, o gatilho inicial não veio do setor cripto, mas da decisão do Tesouro dos EUA de dobrar o tamanho das operações de recompra de títulos longos, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação a partir de 9 de setembro.

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Bitcoin price and market cap trading chart from 2013 to 2019 showing price volatility in USD
Historical Bitcoin price and market capitalization trends between May 2013 and May 2019.

A leitura predominante no mercado é de que a medida – combinada com déficit anual de US$ 2,1 trilhões e dívida total próxima de US$ 40 trilhões – funciona como monetização de dívida disfarçada de gestão de liquidez. O ouro reagiu no mesmo sentido, subindo a US$ 4.639,60 e marcando a quinta semana consecutiva de alta, a mais longa sequência desde outubro de 2025.

Short squeeze de US$ 3 bilhões e ETFs em recorde

  • LIQUIDAÇÕES – ‘o maior evento desde 2021’: cerca de US$ 3 bilhões (R$ 17,4 bilhões) em posições vendidas foram liquidadas em 24 horas, contra apenas US$ 263,5 milhões em posições compradas, forçando o fechamento de mais de 130 mil contas.
  • ETFs SPOT – entrada recorde: os fundos negociados em bolsa de Bitcoin nos EUA captaram US$ 606,29 milhões (R$ 3,52 bilhões) em 20 de agosto, o maior volume diário desde 1º de maio, com o IBIT, da BlackRock, respondendo por mais de 80% do total.
  • CONTRATOS ABERTOS – sinal de cobertura, não de alavancagem nova: o interesse aberto medido em Bitcoin caiu 8,7%, de 366 mil para 334 mil BTC, mesmo com o valor em dólar subindo 11,7%, indicando que posições foram fechadas, não abertas.
  • ON-CHAIN – distribuição em curso: detentores de curto prazo moveram um recorde de 43.300 BTC para exchanges durante o rompimento, com o indicador SOPR subindo a 1,01, sinal de que moedas estão sendo vendidas com lucro.

Contexto que sustenta a cautela

Apesar do salto, o Bitcoin segue 38,3% abaixo do recorde histórico de US$ 126.173 (R$ 731.800), registrado em 6 de outubro de 2025, e caiu 33% no primeiro semestre de 2026. Os ETFs acumularam US$ 5,4 bilhões em saídas líquidas no primeiro semestre – a primeira metade de ano negativa desde o lançamento dos produtos -, o que ajuda a explicar por que quatro dias seguidos de captação relevante ganham peso analítico. Como já detalhamos ao tratar das sequências de entradas em ETFs de Bitcoin, o padrão do ano tem sido uma semana forte seguida de resgates, e a concentração de mais de 80% dos fluxos em um único fundo mantém o risco de reversão em aberto.

A dominância elevada do Bitcoin também reforça a leitura de que o capital entrou primeiro na moeda principal antes de migrar para altcoins, movimento que já discutimos em detalhe na análise sobre a rotação de capital entre Bitcoin e altcoins durante o rali. Para o investidor brasileiro, o ponto prático é que operações alavancadas nesse ambiente amplificam tanto ganhos quanto perdas em minutos – e a liquidez que sustentou a alta desta semana já demonstrou, em anos anteriores, que pode secar com a mesma velocidade.

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